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Governança & Plataforma30 de set. de 2026 · 11 min

Governança não é barreira, é comunicação constante

A política que ninguém leu não governa nada. O que mudou o jogo na operação não foi mais controle, foi mais conversa. Foi disso que nasceu o KMAP, hoje em duas linhas de produto.

Roberto SacomanConsultor de Tecnologia · Cientista de Dados

A primeira versão da nossa governança era uma política bem escrita num portal que ninguém abria. Tinha regra clara, tinha escopo, tinha até fluxograma. E não governava nada: os makers continuavam criando app em ambiente pessoal, fluxo com conta nominal e conector de produção onde não devia.

O erro não era a política. Era achar que publicar é comunicar.

Diagrama: de um lado o portal de diretrizes publicado e sem visita, do outro makers criando app pessoal, com conta nominal, conector de produção e sem memória
Como era antes. A política no ar de um lado, a criação à revelia do outro, e o desvio só aparecendo depois do estrago.

O que realmente mudou o comportamento

Quando invertemos a ordem, primeiro avisar e depois agir, a curva virou. Não porque ficamos permissivos, mas porque o maker passou a saber o que ia acontecer com o recurso dele antes de acontecer. Três coisas fizeram a diferença:

  • Um aviso nominal, no canal onde a pessoa já está, dizendo qual recurso, por que e até quando.
  • Um caminho de saída óbvio: o formulário de entrada de demanda no mesmo aviso, não escondido num portal.
  • Uma sequência previsível de strikes, sempre igual, sem exceção silenciosa.
Diagrama: pipeline Descobrir, Avisar primeiro, Regularizar e Agir, sustentado por modo Simulação, strikes previsíveis e modelo plano
O desenho. A regra não mudou, a ordem sim: o aviso vem antes de qualquer ação.

A política que ninguém leu não governa nada. O que governa é o aviso que chega na pessoa certa, antes da ação.

A decisão mais útil do desenho foi separar Simulação de Ativo, e deixar isso no dado, não no código. Em Simulação o motor faz tudo, detecta, classifica, monta a notificação, registra a auditoria, e não toca em nada. Você roda uma semana, mostra o relatório para a liderança e para os makers, e a conversa deixa de ser hipotética.

AtençãoModo Ativo com recorrência ligada é a combinação perigosa. Ligar os dois no mesmo dia é como subir migração direto em produção: funciona até não funcionar.

O modo vive em dois níveis: um global na configuração e um override opcional por ambiente. O ambiente herda o global quando o override está vazio. Parece detalhe, mas é o que permite ligar governança de verdade num ambiente piloto sem assustar o resto do tenant.

De onde veio o KMAP

O KMAP não nasceu de um roadmap. Nasceu de uma planilha com nomes, e-mails e datas que eu atualizava à mão para saber quem já tinha sido avisado. Quando a planilha cresceu, ficou claro que o problema não era falta de controle, era falta de memória: ninguém lembrava quem já tinha sido avisado, de quê, quando.

O núcleo virou um modelo plano no Dataverse, com chave string e sem nenhum lookup. Foi uma decisão contraintuitiva e é a que mais defendo:

# exporta o núcleo antes de qualquer mudança
pac solution export --name KMAP_Core --managed false
pac solution unpack --zipfile KMAP_Core.zip --folder ./solution

Com dezenas de milhares de recursos no inventário, lookup trava ingestão em massa: exige que o alvo exista antes, obriga a ordenar a carga e resolve GUID a cada upsert. Guardando a chave natural como texto, o upsert vira idempotente e o relacional acontece onde ele é barato, no Power BI e no FetchXML, casando string com string.

DicaAuditoria é append-only, sem chave alternativa. Log que sofre upsert não é log. Cada execução grava linha nova, mesmo que pareça repetida.

Duas linhas, porque nem todo time tem o mesmo teto

Governança esbarra em orçamento antes de esbarrar em técnica. Por isso estou tocando duas versões em paralelo, e não uma só com funcionalidade escondida atrás de um plano.

Diagrama: Linha Simples sem licença adicional, com inventário, aviso e registro, e Linha Premium licenciada, com automação, telemetria e integração, sobre a mesma base
Como está hoje. Duas linhas sobre a mesma base, e uma régua simples para decidir o que vai em cada uma.

A linha simples roda sem licenciamento adicional. Foca no que resolve a maior parte do problema: inventário, aviso e registro. É o suficiente para sair do zero e começar a conversa com os makers.

A linha premium é apoiada em licenciamento e entra onde a escala exige: automação de ação, telemetria mais profunda e integração com o resto da operação.

A régua para decidir o que fica em cada uma é simples: se a funcionalidade é pré-requisito para ter a conversa com o maker, ela vai para a linha simples. Cobrar por isso empurraria de volta para a planilha manual quem mais precisa sair dela.

Em construçãoAs duas linhas estão em evolução agora. Em breve trago mais novidades por aqui, incluindo o que deu errado no caminho.

A lição que fica

Governança madura não se mede pela quantidade de bloqueio, e sim pela quantidade de recurso que se regulariza sozinho antes do bloqueio. Quando o aviso funciona, a quarentena vira exceção, e aí você sabe que parou de brigar com o maker e começou a trabalhar com ele.

Se você está começando esse caminho agora, comece pelo inventário e pelo aviso. O motor de ação pode esperar.

GovernançaPower PlatformKMAP

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